Ainda há pouco tempo, estava a terminar um casamento de vinte e cinco anos. O meu marido anunciou que ia sair de casa, depois de comemorarmos as bodas de prata, numa festa glamorosa com mais de cem convidados. Disse-me que vivíamos num teatro, presos a aparências, no qual já não havia amor.
Fui obrigada a reconhecer que não era feliz, a olhar para dentro e a recomeçar. A resgatar a Patrícia de cabelos soltos e encaracolados que, na sua juventude, andava numa vespa encarnada, destemida, cheia de sonhos e ilusões. A minha filha Constança diz que estou a viver uma crise, que devia ter juízo e comportar-me de acordo com a minha idade, com as regras ditadas pelos outros. O Daniel pede-me para viver no presente, sem pensar no futuro. Eu… vivo nesta angústia. Entre o medo de me entregar a um amor que nunca vivi e a dor de saber que este pode ter um fim.


